

“Tako Matsuri”
Era o Dia das Crianças, e Yuki, um garoto de cinco anos, interrogava o pai sobre o porquê da afinação das varetas de bambu e dos papéis coloridos. — É para o festival de pipas, Yuki. — Festival de pipas? — o menino coçou a cabeça e, curioso, perguntou: — Para quê, papai? — É a celebração do Tako Matsuri, onde a pipa mais bonita ganhará uma premiação especial, e o seu nome ficará conhecido. — Meu nome?… Mas é o senhor quem está fazendo a pipa! O pai sorriu e completou: — Nada disso, filho. Sente aqui do meu lado e trate de me ajudar. Com um sorriso discreto, Yuki segurava as linhas e as varetas, enquanto o pai colava com goma algumas folhas. Pouco a pouco, uma carpa voadora surgia, toda colorida, com barbatanas alongadas. — Que linda! — exclamou Yuki, feliz da vida. A arte da confecção de pipas era realmente encantadora, e aquela foi a primeira das artes repassadas ao pequeno. — Vamos, pai! Corramos juntos para o festival! — Calma, filho… com essa energia toda, eu não aguento. Yuki estava atônito, deslumbrado com os personagens no alto. Havia tartarugas e lagartas, carpas e arraias, morcegos e águias; e um grande dragão vermelho e amarelo que mais assustava do que encantava qualquer espectador. Aos poucos, a carpa de Yuki ganhava força ao vento daquela tarde. Suas grandes barbatanas eram um espetáculo à parte, abrindo-se e fechando como se nadasse dentro d’água, deixando o público encantado. — Já ganhamos, pai! — disse Yuki, eufórico. O menino vibrava, gritava e sorria. Um dia inesquecível em companhia do pai. Foi então que uma rajada de vento empurrou o grande dragão para perto da carpa de Yuki e, com a boca aberta, parecia engolir o pequeno peixe de barbatanas longas. E o inesperado aconteceu: as barbatanas da pipa enrolaram-se no pescoço do dragão como um cachecol, fazendo uma série de rodopios até o chão. O público, em euforia, gritava: — Êh! Êhh! Êhhh! O grande dragão espatifou-se no chão, enquanto a resistente carpa permaneceu em voo até o final do espetáculo. “Com modéstia e simpatia alcançam-se grandes voos.” Assim, Yuki foi condecorado, e ambos os nomes apareceram nas páginas de um jornal — hoje amarelado pelo tempo — lembrança que revive na maturidade, quando ele escreve seus haicais.
Maurício de Oliveira
Enviado por Maurício de Oliveira em 10/03/2026
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